Após suspender o intercâmbio estudantil, a governadora relança o programa em meio a escândalos, pressão do Sintepe e tensões com os servidores da educação.
O Programa Ganhe o Mundo (PGM), criado para oferecer intercâmbio internacional a estudantes do ensino médio da rede pública de Pernambuco, tem sido alvo de controvérsias desde a posse da governadora Raquel Lyra. Ao assumir o governo, Lyra suspendeu temporariamente o programa, alegando a necessidade de revisar contratos e procedimentos. Essa decisão gerou críticas, especialmente considerando a importância do PGM na ampliação de horizontes educacionais para jovens pernambucanos.
Em dezembro de 2024, a governadora anunciou a retomada do programa, com a previsão de enviar 900 alunos para países como Estados Unidos, Canadá, Chile e Argentina no primeiro trimestre de 2025. Lyra afirmou: "Vamos refazer os contratos, encontrar o modelo certo de refazer."
Apesar da retomada, persistem preocupações sobre a execução do programa. A suspensão inicial interrompeu o ciclo de preparação dos estudantes, que inclui aulas de idiomas e orientações culturais. A retomada abrupta pode não oferecer tempo hábil para que os alunos estejam plenamente preparados para a experiência internacional, comprometendo a eficácia do intercâmbio.
Além disso, a relação entre o governo estadual e os profissionais da educação tem sido tensa. O Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe) criticou medidas da governadora, como decretos que afetaram direitos dos servidores e propostas de reajuste salarial consideradas insuficientes. Em janeiro de 2023, o Sintepe afirmou que um decreto assinado por Lyra "pode causar caos na administração pública" e comprometer direitos dos professores.
Em junho de 2023, a governadora enfrentou derrotas na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), onde comissões rejeitaram sua proposta de aumento salarial para os professores, considerada inadequada pelo Sintepe.
A retomada do PGM ocorre em um contexto de insatisfação entre os profissionais da educação, que reivindicam melhores condições de trabalho e valorização salarial. A eficácia do programa depende não apenas da organização logística, mas também do engajamento dos educadores, responsáveis por preparar e orientar os estudantes. Sem a devida valorização e diálogo com a categoria, há o risco de que o programa não alcance seus objetivos plenamente.
Em resumo, embora a retomada do Ganhe o Mundo seja positiva, é fundamental que o governo de Raquel Lyra aborde as críticas relacionadas à execução do programa e melhore o relacionamento com os profissionais da educação. Somente com uma abordagem integrada e participativa será possível garantir que iniciativas como o PGM ofereçam benefícios reais e duradouros para os estudantes pernambucanos.
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